21/7/09

Despedimento

 

Para os que vão: Barro no chão.

Para os que estão: Luto padrão.

Bem como dizia vovó:

Vaso ruim não se quebra,

e jarro bom vira pó.

 

 

Bruno Galhardo. 21 de julho de 2009

 

* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009 

criado por Bruno    5:34 — Arquivado em: Geral

28/5/09

Medida do Pulo

 

Segundo:

Diz-se do que vingou secundário.

Não estou grifando o atraso,

venho cá alardear o preciso.

 

Um segundo é tudo que demora em o amor se atiçar,

e é mais que excesso pra perder-se o juízo.

O exato momento do fundir-se de olhares,

caídos seguidos,

mas por frações conjurados.

 

Acha breve o momento esperado?

Conforme há alegria o passar multiplica?

Pouco afeito deve estar com o menino

de pequenino

mas vigoroso trotar.

 

Todo mirrado não configura imponência,

como análoga vista em seu par de irmãos,

Hora e Dia,

que, por maiores espaços,

têm seus começantes pedaços

como nomeantes

do estático histórico.

 

Há aqui um desvirtuamento de laços.

Na verdade, esse ligeiro de tempo

é, ele somente, o genitor moral,

pois provém seus seguintes.  

 

E querem domá-lo,

prendê-lo, estancá-lo entre os dedos. 

Esquecem-se todos que um segundo bastou

pra embolsar-se o relógio,

e outro ter-se passado -

é o extrato de um instante.

 

Sejamos práticos: segundo é medida.

E, dada toda convenção,

comparação foi devido.     

 

Contudo,

segundo ouvido matuto,

um segundo equivale

a rigoroso um pulo,

em relaxo seguro,

de um peito inexato.

 

 

Bruno Galhardo. 28 de maio de 2009

 

* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009 

criado por Bruno    4:01 — Arquivado em: Geral

5/5/09

Como Fazer Uma Viagem Mais Curta Até Vênus

 

Às vezes,

quando fazemos tudo certo

fazemos um tudo de errado.

Tantas das vezes que erramos

tencionávamos acertar;

certos nossos acertamentos

foram imprecisos, aprecio.

 

Sim, é assim.

Religião, coração, futebol…

A razão, por tão insensata,

é apenas um ponto de vista

e sempre somente será.

 

 

Bruno Galhardo. 5 de maio de 2009

 

* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009 

criado por Bruno    2:37 — Arquivado em: Geral

15/4/09

Noitedia

 

O dia é puro.

Branco como roupa no varal,

alvo tal qual alma dependurada

pós lavatório de remorso.

 

Fica-se cândido

tudo que é turvo,

rubro,

tudo que é chulo.

Porque o claro reflete.

 

É o intato papel,

um sorriso bonito,

é o tom do vestido

num domingo no parque;

uma nuvem em palito.

 

O dia é julgamento,

acuamento do escuro,

esperança pro justo,

convenção do etéreo. 

 

É a cal na parede,

o leite materno,

a barba do sábio,

a farinha na massa,

o açúcar da vida.

 

Já a noite é suja.

Grosseira feito mancha na roupa,

mosca na sopa,

feijão no dente,

ilusão para o crente.

 

Mostra-se negro

nada de casto,

vasto,

nada que é reto.

Pois o preto absorve.

 

É o saco de lixo,

o torrado objeto,

é o traje vestido

numa segunda de luto;

o perder-se num túnel.

 

A noite é angústia,

ajuntamento de resto,

consternação do aflito,

aliança estéril.

 

É o piche grudento,

o pão bolorento,

a praga nos autos,

circunstância agourenta,

a guerra do óleo.

 

Mera marcação.

Não há dia que, carente,

não reclame pela noite

nem negrume, consciente,

o qual não clame claridade.

 

O amor não tem cor.

 

 

Bruno Galhardo. 15 de abril de 2009

 

* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009 

criado por Bruno    1:14 — Arquivado em: Geral

1/4/09

Quarta-Feira de Cinzas

 

Disparou, tocou trombone

como ao longe se escutou:

Sim, é marcha, não duvide,

mas em tudo tem de triste.

Operários, aprendizes,

camicases, meretrizes,

anarquistas, bolcheviques -

quem quiser se travestir

pode vir que é aqui.

Todavia, em coro surdo,

geminado o sem-par,

faixas, feixes e balões;

momos, bobos e bufões,

detiveram-se aquele dia

ao passar pela avenida

um festim desavisado.

 

 

Bruno Galhardo. 1º de abril de 2009

 

* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009 

criado por Bruno    2:25 — Arquivado em: Geral
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