29/1/08
O Que Não se Traduz
Para quem saudoso está,
é pra você que então descrevo.
Desabrigo meu desejo
no relato, um ensejo.
Desobrigados, comecemos.
Eu que sinto, mas não sei,
não conheço, nunca vi,
sentimento parecido
que se soma à nostalgia
com um dedo de agonia.
Você viu quem outro dia?
Sua memória estremeceu?
Ou emudeceu sua alegria?
A mistura o embargou?
Embrulhou sua barriga?
Estranha sensação…
Eu pergunto de onde vem,
se a constante calmaria
ainda há pouco se fazia
tão presente em você?
Como explica a confusão?
Se um perdido, leve cheiro,
desmorona o seu chão;
se o ranger das velhas botas
que esparrame e assim desfaça
o vão que ainda espaça
o revirado coração.
A saudade que lhe mata
vai voltar sem nem ter data,
sem agendar visitação.
E você, bem precavido,
das lembranças, meu amigo,
vai fazer inspiração.
Bruno Galhardo. 29 de janeiro de 2008
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