24/2/08
Distorção II
Derrota não-justa.
Ingrata passada.
Sentença absurda -
vestida a mortalha.
Eu sei,
não fui eu quem fraquejou.
Extirpei de mim o que não é direito.
Está feito,
o mal já passou.
Desilusão, como está?
Muito fazia que não a via…
Posto isto, estava cheio.
Cheio de paz,
cheio de mim.
A confiança é comparsa.
Maldita!
Traiçoeira!
Esboça seus traços e logo se vai.
Era brasa, e pouco ardia;
era cinza, assim consumia.
Era brasa, cinza… apagou.
Mesmo minguante não era lua.
Contei-as de nua mão.
Confesso, penei.
Praguejei maus costumes.
Fui complacente ao me entregar,
e relutante ao repassar.
Sim,
como um mercado, uma troca.
A droga de um músculo!
O frio palpitar.
E aqui agora estou:
Estendidos meus braços,
entregue, rendido,
começo perdido
a me recompor.
Está consumado,
meu barco partiu.
Adeus, encantado,
sentimento vazio.
Bruno Galhardo. 24 de fevereiro de 2008
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