Â
Tentando…
Â
Tentando dormir
(inquieto cernir).
Tentado a tentar não temer.
Â
(…)
Â
Eu ando vazio,
cheio de hiatos.
São tantos que me esmorecem,
desfavorecem-me.
Â
Acordei foi num pulo.
Pulo é de alegria ao saber que vou te ver!
Juro!…
Â
É amanhã.
Â
E conta segundo,
conta minuto,
conta besteira,
conta na mesa (esperar gentileza)
e conta pro mundo o que não consegue esconder.
Conta…
Â
Olha relógio,
mastiga manteiga.
Lambe ponteiro e esparrama no pão,
anota um bilhete e amarra uma fita:
Hora bonita.
É pra não esquecer.
Â
A noite se alonga -
persistente a lua…
Â
Então muda canal,
muda de lado;
coloca no mudo,
festeja o intervalo;
revira na cama e muda de sonho
(ponho no dedo mais um laço de enfeite).
Â
Mudo…
Â
(…)
Â
Isso!
Tá chegando!…
Espanta bocejo, corre e arruma.
Â
Arruma mala,
arruma gravata…
limpa o cinzeiro e corteja a janela.
Â
Abre-a vagarosamente…
Ri - não muito contente…
Â
Olha pro lado,
mordisca o beiço…
Seduz o parapeito
e, no arranque perfeito…
pára.
Â
(Telefone tocou)
Â
Passo direito confunde o parelho
(bambeiam os arcos do esquecido furor).
Tropeça em soluço e ergue o aparelho.
Dois…
Três…
Quatro breves minutos.
Â
Era Joana.
Â
Menina bacana finalmente ligou.
Â
Fica em silêncio,
repensa sisudo…
Sorri, pega o molho e se vai.
Atrasado…
mas vai.
Â
Enquanto a cabeça ainda lateja o inocente adeus.
Â
(Vai com Deus, Amadeu).
Â
Â
Bruno Galhardo. 19 de julho de 2008