20/7/08

Consente, Caymmi?

 

Marina,

 

pinte seu rosto,

cabelos,

suas unhas.

 

Vire seu quarto,

revire retratos,

seus sonhos consuma.

 

Faça o que quiser.

 

Só não venha ostentar

esses olhos puxados

em tom cabisbaixo

de altas baixuras.

 

Você que veio do mar;

das finas areias.

Você que o vento por vezes espalha;

não conte migalhas.

 

Você de quem nem um louco ousaria

debochar, covardia,

os teus ais de menina.

 

Você que não é má; ria.

Ria…

Mas ria com força.

Com a força da fé,

intuição feminina.  

Das dores, mulher.

Do amor…

 

Com a força do amor, Marina.

 

Do amor.

 

 

Bruno Galhardo. 10 de julho de 2008

criado por Bruno    15:33 — Arquivado em: Geral

19/7/08

Memórias Medidas de um Encontro Marcado

 

Tentando…

 

Tentando dormir

(inquieto cernir).

Tentado a tentar não temer.

 

(…)

 

Eu ando vazio,

cheio de hiatos.

São tantos que me esmorecem,

desfavorecem-me.

 

Acordei foi num pulo.

Pulo é de alegria ao saber que vou te ver!

Juro!…

 

É amanhã.

 

E conta segundo,

conta minuto,

conta besteira,

conta na mesa (esperar gentileza)

e conta pro mundo o que não consegue esconder.

Conta…

 

Olha relógio,

mastiga manteiga.

Lambe ponteiro e esparrama no pão,

anota um bilhete e amarra uma fita:

Hora bonita.

É pra não esquecer.

 

A noite se alonga -

persistente a lua…

 

Então muda canal,

muda de lado;

coloca no mudo,

festeja o intervalo;

revira na cama e muda de sonho

(ponho no dedo mais um laço de enfeite).

 

Mudo…

 

(…)

 

Isso!

Tá chegando!…

Espanta bocejo, corre e arruma.

 

Arruma mala,

arruma gravata…

limpa o cinzeiro e corteja a janela.

 

Abre-a vagarosamente…

Ri - não muito contente…

 

Olha pro lado,

mordisca o beiço…

Seduz o parapeito

e, no arranque perfeito…

pára.

 

(Telefone tocou)

 

Passo direito confunde o parelho

(bambeiam os arcos do esquecido furor).

Tropeça em soluço e ergue o aparelho.

Dois…

Três…

Quatro breves minutos.

 

Era Joana.

 

Menina bacana finalmente ligou.

 

Fica em silêncio,

repensa sisudo…

Sorri, pega o molho e se vai.

Atrasado…

mas vai.

 

Enquanto a cabeça ainda lateja o inocente adeus.

 

(Vai com Deus, Amadeu).

 

 

Bruno Galhardo. 19 de julho de 2008

criado por Bruno    16:04 — Arquivado em: Geral
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