29/8/08
Tatuagem
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É tatuagem
o batom vermelho em mim.
É maquiagem
a paixão de frio outono.
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Passar o pano, quitar o sujo…
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No fim (arrependimento) de noite
muito fácil é desfazer
o disfarce de palhaço;
a finita cor de março.
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Não seja tola.
Tintas que borram
não corroboram amor maior.
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Longos duetos
com densos contextos,
ou belos sonetos
em par com provérbios
de longe sustentam
tal arte adular.
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O que fazemos nós, então?
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Talhamo-nos como gado
com um dardo que perfura,
fura nossa pele,
fere as entranhas
e justifica.
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Faz jus ao sentimento,
mesmo que pobre e cinzento.
Considere o elemento
das insanidades impulsivas.
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São todas concebÃveis.
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Pois quando a carne sangra
a cicatriz vem de resposta
e posta em nossa frente
a suposta eternidade,
logo mostra a imprecisão
desse estúpido infindo.
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Amor, ferida divina;
dor, despeito da glória.
Saibam que juntos
firmes conjuntos desgastam.
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Porém nem as mais profundas marcas da vida
possuem cor, melanina,
que o tempo não possa suplantar.
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Bruno Galhardo. 29 de agosto de 2008
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