15/4/09
Noitedia
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O dia é puro.
Branco como roupa no varal,
alvo tal qual alma dependurada
pós lavatório de remorso.
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Fica-se cândido
tudo que é turvo,
rubro,
tudo que é chulo.
Porque o claro reflete.
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É o intato papel,
um sorriso bonito,
é o tom do vestido
num domingo no parque;
uma nuvem em palito.
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O dia é julgamento,
acuamento do escuro,
esperança pro justo,
convenção do etéreo.Â
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É a cal na parede,
o leite materno,
a barba do sábio,
a farinha na massa,
o açúcar da vida.
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Já a noite é suja.
Grosseira feito mancha na roupa,
mosca na sopa,
feijão no dente,
ilusão para o crente.
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Mostra-se negro
nada de casto,
vasto,
nada que é reto.
Pois o preto absorve.
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É o saco de lixo,
o torrado objeto,
é o traje vestido
numa segunda de luto;
o perder-se num túnel.
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A noite é angústia,
ajuntamento de resto,
consternação do aflito,
aliança estéril.
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É o piche grudento,
o pão bolorento,
a praga nos autos,
circunstância agourenta,
a guerra do óleo.
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Mera marcação.
Não há dia que, carente,
não reclame pela noite
nem negrume, consciente,
o qual não clame claridade.
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O amor não tem cor.
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Bruno Galhardo. 15 de abril de 2009
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* Este texto, deliberadamente, não respeita a nova reforma ortográfica, vigorante desde janeiro de 2009Â
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